Recentemente em nossa página escrevemos que a troca do Secretário de Estado da Educação em São Paulo não era uma mudança, no seu sentido técnico, mas uma estratégia política que visa as eleições de 2010.
Nesse sentido, dando continuidade à política da Secretária Maria Helena, o Ex-Ministro Paulo Renato lançou mais um programa mirabolante, idealizado como se fosse a solução definitiva para os problemas do ensino público paulista.
Sob o nome de +qualidade na escola, o programa requentou uma série de medidas que fracassaram no ano passado, sob um projeto de lei no mínimo questionável.
Seguindo o mesmo princípio que norteia a política educacional no Estado de São Paulo desde a década de 1990 (responsabilização dos professores pela falta de qualidade no ensino), o governo atirou para todos os lados.
Atirou nas Universidades, colocando em xeque a formação acadêmica dos docentes. Em vez de mobilizar seus recursos para efetivamente promover mudanças no currículo dos cursos de licenciatura, pela indução puxada pelas Universidades Estaduais (USP, UNICAMP e UNESP), o governo aponta como solução para tais deficiências a freqüência dos aprovados no próximo concurso público em um curso de capacitação à distância.
Atirou nos professores, divulgando na mídia propagandas que induzem ao entendimento de que todos os docentes foram bonificados em valores próximos de R$ 12.000,00, enquanto a maioria recebeu, quando muito, R$ 1.000,00.
Atirou na própria qualidade de ensino, ao forçar a rotatividade dos professores, com a imposição de medidas que restringem a possibilidade de professores temporários renovarem contratos por dois anos consecutivos sem abrir concurso público em quantidades de vagas para efetivação (10 mil) em número suficiente para suprir as ocupadas pelos temporários (100 mil).
Mas, dando também continuidade ao despreparo e à política de lambanças, a mesma Secretaria de Estado da Educação, que protagonizou a Novela da prova dos professores temporários OFA, que distribuiu material didático com erros de conteúdo (material pago a preço de ouro que trazia mapas com dois Paraguais), resolveu distribuir para os alunos da 3ª série do Ensino Fundamental (crianças de nove anos de idade) livros paradidáticos recheados de imagens eróticas e de estímulo à violência, comentadas por textos em quadrinhos de linguagem chula e de duplo sentido. (Será uma estratégia para ampliar o eleitorado pelo estímulo à sexualidade das crianças?)
Com situações lamentáveis como essas o governo ainda tem a coragem de afirmar que os professores são despreparados? Reconhecemos que muitos dos que hoje lecionam na condição de professor não apresentam condições para ostentar esse título. Mas, a postura eleitoreira de um governador pré-candidato à presidência da república, que promove propaganda que induz a população à suposição de que os professores estão sendo bem recompensados com bônus, não pode servir como argumento para retirar dos ombros do Estado e da política educacional do Governo uma responsabilidade que lhe é exclusiva.
A educação no Estado de São Paulo figura entre as piores do Brasil principalmente pela falta de investimento do Estado na manutenção das escolas, na contratação de professores por concurso público e essencialmente, pela aprovação automática.
Nada mudou e por isso o futuro nos parece cada vez mais sombrio…
Sobre a última lambança da SEE com os livros eróticos para a 3ª série, leia mais em
A justiça pode efetivar o professor que está aproximadamente 14 anos lecionando para escolas estaduais temporariamente? É possivel? Que caminho deve seguir?
Wladenir
Infelizmente, se você não tinha aulas atribuídas (não eventual) até 2 de junho de 2007, acesse “PROFESSOR CATEGORIA “F” OU “L”: QUE FAZER SE O CADASTRO ESTIVER ERRADO”, neste blog e entre com o requerimento ali disponível junto a sua Diretoria de Ensino. Leia também as perguntas e as respostas logo abaixo, elas vão ajudá-lo a se orientar melhor, ok!