ANTES
O direito de greve, plenamente reconhecido por nossa legislação como instrumento de exigência de direitos e manifestação de insatisfação de uma categoria, constitui a declaração antecipada do estado de greve pelo colegiado e , caso não exista acordo, a paralisação das atividades, respeitando-se o patrimônio público e a prestação mínima de serviços essenciais.
Dentro dessa lógica, o sindicato dos professores reunido em uma assembléia da categoria, declarou o estado de greve com o início das paralisações para o dia 03 de junho (quarta-feira). Além disso, convocou os professores para uma série de manifestações em frente a Assembléia Legislativa, para a mesma época em que ocorrerá uma audiência pública sobre os projetos de lei apresentados pelo governo no pacote “+ qualidade na escola”.
Mas, o que nós professores podemos e devemos fazer sobre isso?
Adianta entender a greve como uma folga para ficar em casa descansando?
Seria melhor nos dirigirmos à Assembléia para engrossar a manifestação sindical?
Ou talvez devessemos nos reunir, cada qual na frente de sua escola?
O fato é que dessa vez todos os professores estão na mesma canoa furada. Os efetivos estão assistindo o Estado que distribui livros errados para as crianças questionar abertamente sua capacidade de trabalho; Os temporários OFA estão diretamente ameaçados com o desemprego no próximo ano letivo, pela restrição à prorrogação de seus contratos por dois anos consecutivos; Os eventuais estão em situação crítica, sem a perspectiva de lecionar com dignidade, já que o Estado não reliza concurso público para preencher as vagas de professor e seleciona professores temporários por critérios que beneficiam apenas quem já leciona como temporário há muito tempo. (Será mesmo justo esperar que esses professores eventuais não assumam as aulas dos professores grevista, se para isso forem chamados?)
Para que esse movimento de greve não se torne mais uma piada na novela da educação paulista, os professores da rede estadual devem sim ter a preocupação de demonstrar sua insatisfação com a política educacional do governo. Mas, demosntrar para quem? Para o governo?
Os pais dos nossos alunos, muitoscom uma opinião negativa a respeito de nossa profissão formada pela propaganda do governo, devem ser o foco de nossa ação.
Não adianta entrar em greve, encher um ônibus e fazer passeata na frente da Assembléia. A maioria deputados que lá estão, por nosso voto, não tem nenhuma consideração pela nossa categoria. Essa medida só serviria mesmo para pressioná-los a rejeitar o projeto de lei que o Estado mandou, o que não resolve o nosso problema.
O que adianta é fazer desse tipo de manifestação uma oportunidade para esclarecer e demonstrar à população, não que os professores sofrem e estão lecionando na base do sacrifício (a maior parte da população não simpatiza com os professores), mas sim o aunto e como essas medidas prejudicam diretamente a própria população.
DEPOIS de um dia do início do “estado de greve”, o sindicato suspendeu o movimento por uma razão simples: Não houve adesão. (Estima-se que somente 1% dos professores aderiram ao movimento)
Sinceramente, não acreditamos que simples paralisações como as propostas pelo sindicato resolvam alguma coisa. Resolveria se fosse um serviço que o Estado e a população considerassem essencial.
Mas como o ensino público não é exatamente um interesse do Estado, em vez de fazermos paralisações isoladas, que e a população só percebe pelo transtorno causado pela falta de ter com quem deixar os filhos enquanto trabalha, deveríamos realizar sistematicamente atos de manifstação pacífica e de esclarecimento à população nos horários de entrada dos alunos.
Nesses atos, levaríamos á população não as nossas lamentações, mas uma reflexão série e prática sobre as consequências da política educacional do Estadao para o futuro dos seus filhos.
Em um movimento sistemático e contínuo, teríamos resultados em aproximadamente um ou dois anos.
Sou solidária à vocês.
Sou professora (Sociologia) sem estar na rede do estado do Paraná.
Abraços e boa sorte!
Professor,
uma vez recebi uma piada assim: faculdade é instituição que vende diplomas; aluno é o consumidor interessado em comprá-lo; professor é o sujeito que atrapalha as negociações.
Embora a escola seja gratuita (em tese, pois ela depende de impostos que todos pagam quando compram uma mísera bala), o professor é mal visto pelos pais quando sugere reforço ao aluno. Parece que os pais nos vêem como algozes, por mais que se fale da maneira mais doce do mundo. Nós falamos da importância do estudo que não faz eco nos pais nem nos filhos.
Os pais calculam o salário do professor não pelo que ele deve valer após anos de estudo, mas pelo próprio salário, muitas vezes mínimo, com 40 horas semanais, achando que a jornada de 20 horas com 1100 reais é chorar de barriga cheia para quem só fica falando e não faz trabalho braçal.
Como convencer populações inteiras que o trabalho imaterial é fundamental para o desenvolvimento do aluno, da família, do país se o que pesa são as diferenças entre números, a quantidade de dinheiro ganha por hora trabalhada? Ninguém se revolta com o salário de um juiz, 18.000, muitos recém-formados que fazem cursinho para passar no concurso, mas sem a experiência de vida necessária ao cargo. O que torna o professor um pária no serviço público? Será o corpo-a-corpo com a clientela? Será a autoridade que foi retirada da profissão?
Existem muitas questões na profissão do magistério que devem ser refletidas, e além do aumento, muito mais deve ser pleiteado. Greve, já sabemos, não resolve nada e coloca a população, principalmente a usuária da escola pública, contra o professor, pois onde ficarão os filhos durante o trabalho dos pais? E se não trabalham, terão que cumprir seu papel de pai para o qual a maioria é despreparada, amaldiçoando o professor que lhe rouba o sossego com a maldita greve. Infelizmente é assim.
Nada entendo de leis e direito, mas se a Apeoesp entrou na justiça contra a prova dos Ofas, não poderia entrar na justiça contra o Estado pela negligência com a Educação? Não poderia exigir na justiça segurança para o professor? Acredito que sim. Mas isso não ocorre. A Apeoesp é uma grande decepção que parece gostar apenas de barulho.
Estou na luta, grevista desde 29 de Maio, mas com medo do que virá a acontecer, muitos colegas desacreditados estão beneficiando-se por nós, senso comum, é achar tais atitudes destes colegas comum, é ridiculo o posiscionamento destes docentes efetivos ou temporários. Não sou filiada ao Sindicato, em 1998 quando o nosso ticket de 2,00 reais passou para 4,00 reais eu estava no movimento sem ser filiada, mas agora o meu medo é pensar que todo o meu trabalho tem sido jogado por, abonadas, justificadas, injustificadas e meu colega privilegiado com bonificações, é uma luta honesta? É muito difícil responder esta questão, no dia 16 de Junho irei novamente, tenho que acreditar na causa sou ACT, fala-se tanto de avaliação, Luckesi, já disse que ela não deve ser punitiva, mas o Estado, o Governo quer nos punir por atrapalharmos nas negociações, cade a Educação Moral e Cívica, Grade Decente de aulas de História e Geografia, Artes e Ciências, Laboratórios nas Escolas, o Senhor Serra deveria preocupar-se com esta avaliação, com o Estado de Saúde de seus Professores com a desigualdade social, se roubassem menos o nosso salário seria digno sem dobrarmos carga em outro órgão público e tenho certeza professores como eu não faltariam para irem em Assembléias ou por não ter dinheiro para ir ao trabalho, pois os alunos sabem quem são os bons professores.
Esclarecendo:
Não estamos ridicularizando ou temos a intenção de ridicularizar os professores que participaram da greve.
O que estamos discutindo é:
1) Não adianta fazer greve da forma que a Apeoesp sempre faz. Isso é um tiro no pé, pois coloca a população, que está insatisfeita com a qualidade do ensino, contra os professores. O Estado está fazendo o jogo dele, colocando a população contra os professores, ao divulgar que tem pagado bonus e nessa situação, a paralização, que só prejudica a população mais simples (se os filhos dos políticos e dos governantes estudassem na rede estadual, talvez isso fizesse sentido…);
2) A Apeoesp, que é uma institução formada por pessoas de todos os tipos, boas e más, não tem realizado ações efetivas para a defasa do interesse dos professores como um todo, mas se limitado a defender os interesses de uma minoria de professores filiados, sendo que dentro dessa minoria existe uma grande parcela de professores que não merecem ser chamados por esse título. Como a Apeoesp não toma nenhuma atitude para desfiliar essas pessoas, acaba no fundo defendendo interesses indefensáveis. Nesse jogo, infelizmente, muitos dos professores sérios e mobilizados que querem a melhoria da educação acabam servindo de massa de manobra para interesses mesquinhos, que em nada ajudam a educação;
3) Em vez de fazer uma greve os professores da red estadual devem realizar movimentos e atos de manifestação pacíficos, antes e depois da entrada e saída dos estudantes, para conscientizar as famílias sobre o que realmente o governo está fazendo e como isso prejudica a escola de seus filhos.
Para isso, não é preciso Apeoesp.
SO que nos professores sao muito engraçados fica esperando os outros fazer greve so fica olhando ensima do muro esperando acontecer. depois que vem almento nos adoramos eos otarios ficam com faltas e com umas moedas. mais isto nao importa! olha quem nao se valoriza fica falando da apeoesp!!! esta feliz com seu salario???? as vezes sabe fazer melhor, para de rotular os sindicado!!!!começa a agir porque vai ficar sem seus atestado medico.
Professora Suzana
Nosso espaço é democrático e aceitamos todas as manifestações, dentro do limite do respeito. Entretanto, como esse espaço é muito frequentado por professores solicitamos que tenha um maior cuidado em se expressar.
O principal argumento que pesa sobre a cabeça dos professores é que muitos já não dominam o conhecimento e por isso ficam enrolando seus alunos, reclamando do salário e tirando licenças médicas.
Como professores entendemos que a situação é mais complicada. Somos uma carreira de nível superior desvalorizada, que recebe em média 60% menos que outras carreiras diplomadas.
Somos constantemente questionados em nossa capacidade, por pessoas leigas que não têm formação para entender a complexidade do problema, mas que têm experiência de vida suficiente para perceber a má fé de alguns dos que estão à frente de uma sala de aula.
Nesse contexto, especialmente no que se refere à postura da Apeoesp diante do conturbado processo de avaliação (com a iniciativa de entrar com uma ação na justiça não em favor de toda a categoria, mas sim em favor de uma pequena parcela de filiados) entendemos que o sindicato esconde seus verdadeiros motivos e usa o argumento da defesa dos professores para realiza-los.
Assim consideramos a greve, no modelo proposto, uma iniciativa que causa um enorme prejuízo à população e que favorece muito ao governo, por colocar essa população contra os professores.
Para piorar mais as coisas, comentários cheios de erros de Português e de construção de frases como os que você apresentou arranham a imagem dos professores, já que reforçam muito a impressão de que não têm conhecimento e capacidade para ensinar seus alunos. (Convenhamos: um suposto professor que visita um site de professores e que nele escreve “ensima” no lugar de em cima; “almento” no lugar de aumento; e que ainda usa expressões como “otários” e destaca de maneira gritante a necessidade de atestados médicos… Parece até piada.)
Que palhaçada!!! Tem muitos professores que nem com curso de capacitação…
Tem que voltar para alfabetização…
Que vergonha Dona Suzana (porque chamar de professora é um abuso), tem que estudar e muito heim!?
Desculpe o desabafo, mas é que eu não aguentei…
Fiquei de boca aberta com os últimos comentários , parece piada…chego a me perguntar se não é sabotagem, alguém se identificar como professora e escrever dessa maneira (risos).
Pessoal , é melhor a gente começar rever nossos conceitos. Somos uma classe de trabalhadores desunidos ,que infelizmente não possui a mesma mente , o mesmo ideal.
Um dia escutei uma professora dar aula e explicar para um aluno que não se empresta o lápis para o colega , que :
“aqui é olho por olho e dente por dente”.
Se esse tipo de pensamento reina sobre sua cabeça , imagino que com os colegas de trabalho não seja diferente , e é esse tipo de conduta , que fortaleçe pessoas como o Sr. Serra e o Sr. Secretário da “Educação”, que põe ao ridículo e desmoraliza os professores diante da rede de televisão , e o povo leigo acredita: ” Professor só tem carrão , como ganha mal?…”
Portanto , se divulgarem um comentário como o da professora acima , eis mais um motivo para declaração que professor hoje em dia é INCOMPETENTE e zera “provinhas” ridículas , como a do ano passado!
Professora Lilian
Concordamos com seus argumentos e acreditamos que realmente falta um pouco de união em nossa categoria. Entretanto, como vivemos hoje em uma sociedade democrática, embora não concordemos com alguns dos comentários feitos nesse espaço, tomamos como regra não censurá-los, salvo a hipótese de serem ofensivos ou conterem palavras de baixo calão.