O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou a mudança no currículo do Ensino Médio.
Pela proposta, que é uma orientação de parâmetros mínimos e não uma imposição às diversas redes de ensino, a carga horária seria ampliada das atuais 2400 horas para mais de 3000 horas para todo o curso de Ensino Médio.
Além disso, esse currículo seria organizado em quatro eixos temáticos (Trabalho, Ciência, Cultura e Tecnologia) e teria cerca de 20% de sua carga horária obrigatória dedicada às atividades de livre escolha das escolas, que poderiam optar entre reforço extra de conteúdos ou atividades culturias como música, teatro e outros.
O Conselho Nacional e o Ministério da Educação não têm o poder de definir a estrutura do ensino médio dos Estados e Municípios. Mas, nacionalmente, o CNE define um currículo mínimo e as diretrizes nacionais, que mostram aquilo que um estudante precisa saber depois de três anos de estudo.
Assim, essa medida aprovada terá como consequencia uma reforma na estrutura curricular do Ensino Médio, que para os mais otimistas acontecerá dentro das diretrizes que pretendem tirar da inércia o atual modelo (de disciplinas rígidas, decoreba e pouca prática) e torná-lo mais interessante para os jovens.
Nessa mesma linha, de acordo com outra proposta apresentada pelo Minstério da Educação o Exame Nacional do Ensino Médio passaria a ser obrigatório para todos os alunos da rede pública em 2010.
Com essa mudança, o ENEM seria adotado com substituição ao vestibular pelas Universidades Federais, em um sistema no qual o estudante classificado escolheria o curso que deseja estudar depois de conhecer seu desempenho.
Essa medida tem o objetivo de permitir que vagas ociosas das Universidades Federais nas diversas regiões do país fossem preenchidas por estudantes de outras regiões (É muito comum, por exemplo, um estudante prestar vestibular para História em uma determinada Universidade e não conseguir nota para fazer esse curso, mas apresentar resultado para cursar Geografia. Com a mudança, o estudante poderia escolher o curso mais adequado à sua nota, com opção de fazer essa escolha em várias universidades de difrentes regiões do país)
Por essa mesma proposta, os alunos do Ensino Médio que não obtivessem resultados considerados mínimos (possivelmente calculados por uma média dos resultados obitidos) não receberiam o diploma do Ensino Médio.
Isso representaria um avanço na seleção de estudantes para o Ensino Superior e serviria como motivação para o Ensino Médio, mas a medida é contestada pelo Governo do Estado de São Paulo.
Agora que “desabou ” de vez!!!
Pergunto: E aqueles que já completaram o Ensino Médio por um bom tempo, não terá mais condições do Ensino gratuito?
Estes que não tem condições mesmo vão ter que se direcionar para uma instituição paga, não é mesmo?
Contraditório, não???
Janete
Não é por acaso. O Ensino Médio ia mal das pernas desde muito tempo, mas faliu de vez nos últimos dois anos. Será que é coincidência o fato de esse prazo representar a “formatura” das primeiras turmas da 1ª série da progressão continuada em 1997?
Depois que arrombaram o portão pensa-se em colocar um cadeado, não para proteger o que se tinha (que já se perdeu), mas, para proteger o que se pretende ter.
Assim, teremos que conviver sim com uma Geração Perdida, infelizmente caracterizada pela apatia, falta de perspectiva e de capacidade da maioria dos jovens que estão deixando o Ensino Médio. Pessoas que não têm o mínimo de qualificação para atender as exigências do mercado e que também não desenvolveram a força de vontade que motiva o ser humano a superar suas dificuldades, apesar da situação contrária. Esses jovens, que nunca precisaram apresentar algum resultado para ser promovidos desenvolveram a ideia distorcida da aprovação automática.
Se na década de 1920 a figura do caipira, eternizada nas palavras de Monteiro Lobato, representava o desafio a ser vencido pela educação, Hoje, temos o desafio do MANO, que se caracteriza pela posse de um diploma, pelo consumo e pela completa ausência de reflexão, ao ponto de não conseguir usar a maioria dos recursos dos produtos que consome.
Antes, se dizia: Quer saber se existe criança em uma casa? Veja se o relógio do video casset está ajustado. Hoje, se percebe que os jovens nem tem a curiosidade de ler o manual de uma aparelho eletrônico ou celular para entender os seus recursos.
Talvez, com a exigência de aprovação no enem para diplomação no ensino médio, as novas gerações percebem algum sentido na escola.
O que me parece claro é o seguinte: a década de 1980 foi a década da abertura. Abertura para todo tipo de PORCARIA que justificava o final da ditadura. Abertura para a arte, a cultura, a música, a educação and so on… O que se esqueceu completamente de se preocupar foi com a qualidade de tudo isso. Abertura foi sinônimo de “tudo pode”, inclusive a possibilidade da conhecida “inclusão”, MAS SÓ PARA A ESCOLA PÚBLICA, VIU!. Palavras bonitas, bem colocadas, instalaram-se as tentativas, a escola pública se transformou num grande tubo de ensaio para todas as experiências dos governos que se passaram. Hoje, chega-se à conclusão de que tudo não passou de balela e que o que vale mesmo é a cobrança, a prova e a responsabilidade. Só que se esqueceram de avisar o professor que ele precisa se adaptar novamente aos moldes antigos, MAS QUE SEU SALÁRIO NÃO VAI CHEGAR NEM PERTO DO QUE ERA NA ÉPOCA…