Desabafo publicado em nossa página como um comentário de Carlos
Muito se fala e nada se faz. Pela primeira vez alguém na face da terra deu ouvidos a nós, fantoches do nosso estado. Muito obrigado pelo site e pela possiblidade de dizer o que está engasgado.
O nosso problema, categoria L ou F, diz respeito a uma questão de cultura de nosso país. Ninguém ainda percebeu, digo a sociedade como um todo, o caos que está a educação de Sp. Muito me chateia é por que os pais não dão a mínima para o que está acontecendo. Pelo contrário concorda quando ouvem, professores nota 0. Eles se esquecem que são os notas zeros que colocam um parabéns, que elogia e que está de um modo geral presente na vida de seu filho. É triste por que temo o futuro deste país, o que será daqui 10, 20, 30 anos? O nosso sistema impõe, nao discute, não ouve e todos dizem amém. Parabéns ao povo brasileiro que sempre está no estilo Zeca Pagodinho, deixa a vida me levar… É triste você dar o melhor de si, perder finais de semanas preparando aulas, corrigindo provas e adequando o analfabetismo ao novo currículo e depois de 30 dias receber R$1.500,00. Não temos mais vida social, perdemos o direito de viver com nossas famílias e nos dedicamos exclusivamente ao trabalho. Trabalhando na maioria das vezes 12, 14 horas por dia para poder pagar o carnê das Casas Bahia, o Boleto do carro que já está todo destruído de ir de uma escola para outra e ainda ouvir de pai que somos vagabundos e que não sabemos lecionar. Hoje não sabemos, mas daqui a dez anos esses filhos verão o quanto era bom, pois do jeito que está professor já se enquadra na lista do Ibama: Espécie em extinção. Precisamos ser ouvidos, queremos que a mídia nos ouça e veja o real problema que existe. Queremos respeito, finais de semanas para passar com nossas famílias. Queremos chegar em casa e relaxar de um dia de trabalho e não tomar um banho e preparar aulas até as 23:30 para às 7:00 estar num sexto ano com 48 alunos cheios de vida e nenhum pingo de limites. Somos nós que preparamos os Médicos, Advogados, Cirurgiões. Meu Deus até quando! Até quando a sociedade não perceberá que somos o tudo deste país e que queremos ao menos respeito. Será que um profissional que ao longo de décadas teve 18% de aumento salarial, isto é, incluindo as gratificações, está contente com o que faz? Japão, Coréia, EUA provaram que enquanto o profissional da educação não for valorizado a educação não anda. E mesmo assim insistem em colocar a culpa ne quem? Dos Marionetes, Nariz vermelho… quero um dia dizer que contribui ao menos para a formação de um cidadão, que o que aprendemos em sala de aula serve para avida toda e olhar para tráz e dizer: eu tentei, mas não deixaram. Perdi noites de sono preocupado com o rendimento de meus alunos. Chorei por dentro ao ver o desespero de um jovem de 17 anos não saber ler e nem escrever e estar na 3ª série do ensino médio. O meu muito obrigado ao Estado por me dar a oportunidade de fazer algo, foram alguns anos, que valeu para perceber o quanto sou melhor que isso. O quanto sou melhor que um sistema que dita, que impõe. O quanto tenho respeito a mim mesmo de enxergar o quanto sou mais eu e que mereço coisa melhor. E agora sei que para ser professor não são todos, somente os necessitados e os que não tem mais aonde recorrer. E sou melhor que isso! Perdão pelos erros ortográficos e concordância, mas para um professor nota zero até que saiu razoável, não acham?
De um ex-professor.
Realmente, eu sou uma das que defendo que quando eu não estiver mais satisfeita com minha situação profissional, mudo-me, já que mudar alguma coisa neste país é praticamente impossível. Máximas como “faça a sua parte” estão beirando a extinção, pois ninguém está fazendo mais nada. O que impera é o egoísmo e frases como “não é comigo” ganham cada vez mais adeptos em tempos de PT, Sarney, “Bolsas” solidárias, aliciantes e eleitoreiras, enfim, é o “PÃO E CIRCO” de fazer inveja a romanos e neo romanos de plantão. A decisão do professor Carlos foi extremada, mas necessária à sua paz de espírito. Boa sorte a ele.
Sou profª da rede pública há 22 anos. Nunca passei por uma situação financeira tão preocupante como agora.
Sempre tive que fazer contas para pagar o que devo e sobrar e até conseguia. Hoje me vejo tendo mais “mês” que salário. Que injustiça! Sou professora dedicada, cumpridora dos meus deveres. Durmo tranquilamente, sabendo que não fico na sala de aula brincando de ensinar.Não vou à cinemas, teatros e que dirá viagens. Só trabalho e volto para casa. Divertimento? Apenas se forem grátis. Tenho licenciatura, pós graduação e pergunto: para quê? Apenas por um simples gosto pelo estudo, nada mais. Vejo essa situação mudar? Já sabem a resposta: NÃO! Porém preocupo-me com o meu futuro. Quem sabe um dia irei ao balcão de farmácia com a receita médica e o balconista me dará medicação errada por não saber o que está escrito. Que fim!!! E a sociedade acreditou quando foi dito que o professor ganhou um bônus em 2009 de 15 mil reais. Alguém deve ter ganho o meu, porque nem cheguei perto disso. Que lástima!
não tenho palavras , devido a imensa tristeza que transborda em meu coração, lamentavel tudo o que o professorado paulista ea fins estao passando, me sinto de maos atadas, e so tenho 14 anos que leciono, mas da para escrever um livro com mol paginas sobre a minha trajetoria no ensino publico estadual,
abraços
Lucca