Só quem já passou por uma sala de aula de escola pública compreende certos aspectos das realidades apresentadas em nossa publicação. Por essa razão, criamos aqui um espaço exclusivo para que você escreva suas memórias, angústias ou reflexões sobre o cotidiano da sala de aula, num estilo pedagógicos anônimos.
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O começo do Fim
Aqui posso contar tudo o que penso. Sempre quis ser professora! Na faculdade éramos excitados pelas melhores professoras de pedagogia que uma iniciante em educação poderia querer, sempre ensinando que devíamos e conseguiríamos mudar os rumos da educação por onde quer que passássemos. Nem acreditei quando me formei, foi “aquela” colação de grau, sentíamos ter atingidos um grau muito desejado, porém, todos os colegas queriam mais. Queríamos mudar o mundo. Acreditávamos nisso e ninguém poderia acabar com nossos sonhos, já que tudo é possível quando se acredita, não?
Hoje estou muito confusa com as minhas escolhas, meus sonhos não se tornaram concretos e estou muito desanimada como professora. Nem sei se existe realmente educação. Hoje me pergunto: “O que será educação”? Palavrinha muito pronunciada pelos nossos políticos em momentos de campanhas ou em fórum sociais. Mas também muito esquecida na prática.
Sei bem quando tudo começou, ou melhor, quando iniciou o fim. O fim dos estímulos dados pelas minhas grandes professoras da graduação. No momento, acredito que como o papel aceita tudo, quem nunca entrou em uma sala da rede pública, realmente tem muita fé que a educação mudará os rumos de nossa sociedade. Foi naquela primeira segunda-feira do mês de novembro do ano de 2007, estava muito frio e chovia forte e ventava muito na cidade de São Paulo. Cheguei na escola indicada pela Secretaria de Ensino às 8h30, ocasião em que se iniciaria o processo de posse dos professores aprovados em concurso público. O local estava lotado de professores e não havia onde sentar. Tudo era muito tumultuado e os supervisores da educação que chamavam os professores pelo número de colocação do concurso mal davam qualquer informação para nós que almejávamos tanto aquele cargo público.
Quando fui chamada já era 14h30, não havia comido nada e o processo ainda continuava. Como não havia escolas nas cidades próximas de onde moro, escolhi uma que à beira da Rodovia Dutra, na periferia de uma das cidades da região metropolitana. Feliz e apreensiva sai do local, com meu marido que nunca havia visto total desorganização na vida.
No dia 20 de dezembro daquele ano, decidi visitar a escola que escolhi e ver quais documentos eram necessários para tomar a posse. Neste dia, quem me acompanhou à escola foi meu pai, que nunca quis que eu fosse professora. Hoje acredito que seus argumentos eram válidos, mas como uma boa filha que acredita nos conflitos de gerações, não dei ouvido! Pior do que isso, tenho que dar o braço a torcer : ele tinha razão.
A escola está localizada num bairro muito pobre e que maior parte da população migrou de outros estados para lá em busca de melhores condições de vida. Sentia-me em qualquer lugar menos na região metropolitana de São Paulo. A escola ficava em um terreno irregular, com uma entrada pequena, de onde mal se enxerga o edifício ao fundo, bem ao fundo, mesmo.Ao entrar, percebi alguma coisa diferente nas suas paredes. Era uma escola de lata! fiquei surpreso, acreditava que era mito, já que nunca havia visto uma. Os fios da eletricidade estavam soltos passando pelas salas como se fossem cipós encontrados nas florestas nos filmes do Tarzan. Não estou exagerando. Na cozinha, ratos maiores que certas raças de cachorros, perambulavam, sem medo . Não havia cesto de lixo e a sujeira imperava naquele local que mal tinha vidros pelas janelas. A decoração daquelas paredes tinha um toque das artes contemporâneas das ruas, com muitas cores, apelidos e palavrões. Não havia água nos banheiros, mas parece que ninguém notou porque eles continuavam sendo usados…
A diretora me recebeu bem, disse que não deveria reparar a bagunça (algo impossível). Comentava que faltavam recursos financeiros e que a escola era de tempo integral, a comunidade era tranqüila de se trabalhar, não era para ficar assustada e que gostaria muito de trabalhar naquele local.
Fiquei pensando como seria o dia da atribuição, mas isto é para outro dia. Acredito que se alguém ler esse relato não irá acreditar, talvez pense ser exagero…mas, como todo professora da rede pública sabe, é só começo…
Era final de uma tarde fria do mês de agosto. O avermelhado do céu poente contrastava com o azul profundo e cristalino do firmamento, típico daqueles dias secos e sem nenhuma nuvem.
A estrada era sinuosa e esburacada. Mesmo estando atrasada não conseguia desenvolver uma velocidade maior que o limite estabelecido pelas perseverantes placas, que desbotadas pela ação do tempo e esquecidas pelas autoridades responsáveis por sua manutenção, eram testemunhas de uma paisagem bucólica.
Ao cair da noite, já percebia distante as luzes das casas daquele bairro, encravado entre duas elevações de mares de morro, com uma vista privilegiada para a serra do Mar. As ruas calçadas com pedras e paralelepípedos revelavam uma paisagem bem mineira, embora estivesse no interior de São Paulo.
A escola era uma construção da década de 1980, mas parecia algo mais antigo, como ruínas de uma civilização perdida, que abandonada por seus construtores desafiava o tempo improvisando soluções para contornar suas precariedades.
A noite já reinava e nada dos alunos. A terça-feira era gorda, sem feriados e sem nenhuma partida de futebol que justificasse aquele silêncio. Já passava das 18:50, quando o ônibus empoeirado e enlameado anunciou a boa nova, com o rugido irregular e descompassado de seu motor a diesel: os alunos chegaram.
Adolescentes e adultos, trajando roupas simples ou mesmo uniformes de trabalho tinham no rosto um sorriso franco, ainda que meio apagado pelo cansaço da jornada de trabalho e pelo desconforto do transporte.
Percebi que a maioria daquelas pessoas se conhecia e pertencia á comunidade local, que era na verdade muito mais do que as construções iluminadas do bairro. Muitos moravam em chácaras e sítios e outros eram caseiros ou arrendatários de uma fazenda da região.
Senti-me empolgada. Eram pessoas simples de uma escola simples e que tinham um objetivo claro: estudar, para sua qualificação profissional. Nessa empolgação, apresentei-me à direção. Havia conseguido as aulas em um processo de atribuição realizado na Diretoria de Ensino. Apesar de nova, de formação recente e de pouca pontuação na rede estadual, consegui aquelas aulas por se tratar de um bloco quebrado e incompleto: eram 9 aulas distribuídas nos cinco dias da semana, com várias janelas…
A apatia da direção me chamou a atenção. Parecia haver um clima pesado, de conflito entre professores e secretaria. Como não estava inteirada sobre o cotidiano da escola, não conversei muito. Segui a orientação denunciada pelo silêncio e pela expressão corporal das pessoas com quem conversei: falar pouco e observar.
Dentro da escola, percebi que o aspecto de ruínas não era uma impressão. Os três pavilhões dispostos de maneira que entre o primeiro e o segundo se formava uma espécie de pátio, apresentavam rachaduras, de cima a baixo.
Naquele ambiente sombrio e mal iluminado, percebi que os telhados aparentavam estar curvados, como se o madeiramento estivesse cedendo. A pintura externa dos blocos era pálida, sem cor definida, com uma faixa irregular no rodapé formada a partir do barro espirrado pela água da chuva que devia cair do telhado sem calha.
Na sala de aula em que entrei, minha esperança foi abalada. Era um espaço de cerca de 8×12m, sem janelas. Existiam apenas pequenas aberturas próximas a linha do forro, que simplesmente não existia. A iluminação, pendurada pelo fio diretamente do madeiramento do telhado estava disposta de maneira aleatória.
A “decoração” apresentava uma característica bem contemporânea, não com a expressão cultural e artística do hip-hop, mas com a presença constante de órgãos sexuais masculinos representados à caneta vermelha de maneira surrealista, como pênis alados, em um contraste com a parede pálida e desbotada. Não sei se essa idéia fazia referência aos mosquitos que voavam ao redor das poucas lâmpadas que funcionavam, mas a disposição aleatória dessa arte estava em harmonia com o caos provocado pelas “aleluias”.
Compondo um tema iraquiano, que lembrava Faluja depois do bombardeio americano, ou Bagdá depois da explosão de um carro bomba, as carteiras e cadeiras quebradas amontoadas no fundo da classe, em frente aos armários de aço amassados e com suas portas tortas e penduradas traduziam uma sensação de abandono. Seguindo a composição do tema, as carteiras “inteiras” estavam dispostas pela sala de maneira que o centro ficava livre (Só entendi a razão dessa disposição no mês de outubro, depois de uma chuva forte que nos propiciou, a mim a aos alunos, o espetáculo de uma cascata artificial no centro da sala…).
Nesse ambiente, a impressão inicial do sorriso dos alunos foi substituída pelo olhar perdido e pelas conversas fúteis. Apresentei-me à classe, mas não recebi muita atenção. Lembrei-me de minha professora na faculdade, que como pedagoga convicta creditava o desinteresse dos alunos á falta do compromisso dos professores. Será que ela já havia enfrentado uma situação parecida?
A apatia daqueles alunos espalhados pela sala era antes de tudo um fruto da realidade. Melhor do que ninguém, eles sabiam que o futuro não lhes seria muito promissor. Carregando enormes defasagens de aprendizagem, que foram bem explicadas em suas causas pelas palavras do professortemporario, esses alunos sentiam-se abandonados e esquecidos, da mesma forma que o material estragado no fundo da classe.
Da mesma forma que um sanitário público, quando entramos em um ambiente limpo e com manutenção constante, fazemos um uso mais agradável e procuramos, na medida do possível, colaborar com sua manutenção. Mas se entramos em um ambiente sujo, precário e abandonado, mal fazemos o que precisávamos fazer e já nos dirigimos á saída, para lavar as mãos em outro lugar. Por que com a escola seria diferente?
Minha professora da faculdade acreditava que o problema da educação no Brasil era a falta de professores compromissados, mas duvido que ela imaginasse uma realidade como a que presenciei. Não essa realidade fosse extrema. O primeiro relato desta página demonstra que o buraco é mais embaixo. Mas, em se tratando da aprendizagem dos alunos da rede pública, acredito que uma sala de aula depredada e abandonada em sua manutenção cause um efeito negativo sobre a auto-estima dos estudantes, que juntamente com a nossa aprovação automática, deposita uma enorme pá de terra sobre o caixão de nossa educação.
É ! SÓ QUEM DA AULA SABE O QUE É VERDADE!
7.ºC
Bom dia! professor posso ir no banheiro: agora não, acabei de chegar, depis você vai ao banheiro: depois eu posso mesmo, tô apertado: tudo bem pode: também quero ir professor!eu também: eu também: professor ele pegou minha caneta: passa lição não professor, minha mão tá doendo de tanto escrever: faltou algum professor hoje: não sei, pessoal vou fazer a chamada, façam silêncio: meu número é quarenta professor deixa eu ir no banheiro: professor não apaga a lousa: olha esses papeizinhos, professor: gente parem com os papeis: número um: professor a Sheila tá menstruada: não tô não seu viado: o professor começa essa aula aí: dois: quem foi o filho da puta que jogou o papel: três: oh professor o um tá presente: mas você nao respondeu: silêncio sala! (bate-se o apagador na mesa): o professor até você chegar no quarenta já mixei nas calças: sua mãe: SOLTA ESSA PORRA, SOLTA ESSA PORRA (dizem que é música): desliguem o celular: chama a diretora professor: professor amanhã tem aula: por que não haveria: tem jogo amanhã: quatro: presente: cinco:presente: cu quente: ´´e o da tua mãe:eeeeehhhhhh: professor pegaram meu lápis: sete: é o seis professor? seis: faltou: naõ peguei nada não, aí no chão: foi você que jogou: TUM, TUM, TIM , TUM, TUM TUTIM: já falei do celular: oito: aqui: nove: morreu: dez: foi prá bahia: tô aqui professor: onze: onze: doze: presente: o onze tá aqui professor: filho da puta para com isso (ela chuta uma cadeira): professor posso passar a lição na lousa: silêncio(levanto-me e ameaço ir para a diretoria): vou chamar a diretora, assim não dá para trabalhar: o professor deixa eu ir no banheiro: você, se continuar jogando papeizinhos vai para a diretoria: ele jogou em mim primeiro: píiiiiiii: o sinal professor: parem com isso, por favor: treze: professor deu presença para o onze: sim: valeu pro, você é gente fina: e paro o dois professor: silêncio, olhe, não vou mais fazer chamada, abram os cadernos e vamos continuar a proposta(indicação da proposta- conversa em grupos): bom vamos trabalhar um texto: não professor e a chamada: é: eu não vou fazer nada se não me der presença: sem presença a gente reprova: eeeeehhhhh: chamada:chamada: vem aqui seu cuzão (dois alunos começam a brigar) : briga: briga: o que tá acontecendo aqui (chega a inspetora) você dois, comigo agora: vou te matar: que conversa é essa, vocês são bichos: vamos os dois: professor, precisar de ajuda é só chamar, pois essa sala esta muito alegre. quatorze: aqui: quinze: aqui: dezesseis: aqui: trim, trim: professor, posso atender o celular lá fora, minha mãe tá doente: vai: sou o quarenta e oito: é mentira dele professor: você não me deixa ir no banheiro e ele pode atender celular, mãe doente, caiu nessa professor: aí professor, dá suspensão, tá te chamando de otário: otário é você:: olha pessoal, vamos para a aula, vou dar presença para todo mundo: eeeehhhhh: ah profi, soubesse não teria vindo:
-Eu também!
Esse post do Ricardo é genial. Reflete o que enfrentamos todos os dias nas escolas públicas estaduais. É exatamente assim, sem ter o que colocar nem o que tirar!
Ricardo, realmente vc conseguiu retratar o que passamos em sala de aula, manda para um jornal, para ser publicado, quem sabe assim eles darão um pouco de valor para nos.
Ricardo, é tudo issso e mais um pouco. Então eu me pergunto: ” Por que ainda temos tantas pessoas se formando professores todos os anos querendo essas malditas aulas?
Ser professor não significa estritamente “dar aulas”. Ser professor representa uma postura profissional comprometida com o desenvolvimento da sociedade pela ação social e educação de novas gerações. Mesmo reconhecendo o estado lastimável da estrutura escolar brasileira, com unidades depredadas e professores desvalorizados, não podemos atribuir um sentido maligno ou maldito ao único aspecto essencial da profissão que depende exclusivamente do professor.
Maldita é a política educacional do Estado de São Paulo. Maldita é condição social à qual os professores são submetidos. Maldito é o arrocho salarial e desvalorização da categoria. Mas, as aulas em si não são malditas.
Pensar nas aulas, na ação social pedagógica em sala de aula como algo ruim é uma atitude antiprofissional, que em vez de demonstrar revolta em relação ao sistema pode ser interpretada como uma completa falta de compromisso com a a educação.
Bom dia! Sejam bem Vindos. (muitos rostinhos com olhinhos brilhantes), sou a Professora Ana Maria, e vou ser a professora de vocês este ano. Quero conhecer vocês… Ô tia, ô tia… eu tenho um cachorro que se chama … ah eu tenho dois professora! eu tenho um gatinho tia… tia posso beber àgua, posso? Tia você vai dar lição? Passa lição! Segundo ano vamos ficar quietinhos, quero conhecer vocês, quero que vocês me contem de você um por um… levantem a mão pra falar (um milhão de braçinhos e olhinhos brilhantes)
E por ai vai o relato de um segundo ano numa escola da prefeitura de uma cidade do interior de SP, porque será que no primeiro ano escolar os alunos são tão interessados, querem participar, falar… e depois de alguns anos ficam como os do relato acima??????????????????????
Eu tenho uma idéia, mas não me atrevo a falar aqui.
Que Deus cuide das nossas crianças
Ainda bem que Deus cuida…
Superlotação
Quarenta alunos numa sala de aula. São quarenta alunos numa velha, modernizada pelo agora, sala de aula. Mais de quarenta no diário e quarenta alunos na sala, sim, quarenta alunos altos, baixos, obesos, anoréxicos, epiléticos. Quarenta alunos com seus complexos, fantasias, medos e alegrias. Quarenta alunos, quarenta seres humanos no calor e no frio, trancados, sentados no cubículo da sala de aula. Quarenta conscientes e quarenta inconscientes, quarenta, quarenta alunos na quarentena educacional. Quarenta adolescentes, crianças, infantes. Com enurese, quarenta alunos; com ódio, quarenta alunos; com hipertensão, quarenta alunos numa sala de aula. Em uma sala de aula para trinta, quarenta alunos, cobaias neoliberais a sangrar esperança. Desmotivados: quarenta alunos! Hiperativos: quarenta alunos! Quarenta solidões, quarenta carteiras, quarenta corações…quarenta, ouso repetir que há quarenta alunos numa sala de aula, alguns faltaram! Há quarenta, quarenta alunos numa sala de aula. Quarenta: – posso ir ao banheiro? Quarenta: – não entendi nada! Quarenta: – faltou algum professor hoje? Quarenta alunos, quarenta almas. Patrícios: quarenta; marginalizados: quarenta; celularizados: quarenta. Nas ruas as vozes dos quarenta, dos quarenta alunos, dos quarenta alunos numa sala de aula. Sim, quarenta alunos numa sala de aula.
E um professor.
Ricardo completando sua historia, catorze está pendurado na janela, quinze cabulou junto com a 7ªA. Vamos dar inicio a aula depois faço a chamada, desce daí menino, passei um exercício expliquei e comecei ver os cadernos. Wallace porque não fez? Professora não sei ler? Outro aluno diz: eu também não, e assim escuto 24 eu também não sei ler e nem escrever. Wallace era o único que não copiava, por isso descobri 24 que não lêem e nem escrevem só copiam.O que fazer????Alfabetizar… Sou professora de matemática…alunos totalmente indisciplinados, e agora descobri, o porque já passaram 2 professores de Português e 2 de Geografia, eles assistem à aula com as mochilas nas costas e todos estão fora da idade, Atividade diversificada, está difícil, nem a super Nany nesta sala. PRECISAMOS É DE UM MILAGRE!!!!!.( Coincidência também é uma 7ªC).
Na sala de aula:
- Professor você trabalha?
- Sim, não estou aqui?
- Digo, trabalho de verdade, né?
- Não, isso não, tenho apenas trabalhos de mentira, sobretudo na hora de passar os alunos de ano.
No conselho:
- Ano que vem, teremos só um terceiro, então acho melhor reprovarmos alguns alunos.
- Passa todo mundo, noooossa, agüentar essa molecada, manda embora.
- A escola pode fechar.
- Mas não podemos reprovar muitos alunos, tem a nota de fluxo, e o nosso bônus?
- Façamos o seguinte, ligue para os alunos que andam a faltar, dê-lhes um trabalho de compensação de ausência, daí é só reprovar alguns bagunceiros.
- Boa idéia.
- E isso aí, quem mandou vir à escola.
Sobre as convicções da Ana Maria.
Eu também tenho uma idéia!
“Deus salve essas crianças”!
Á todas as crianças que fizeram e fazem parte da maldita progressão continuada, nefasta no que diz respeito a responsabilidade com os próprios estudos.
Ricardo, é exatamente assim cara! Passo por isso cinco dias da semana, parece até a 7ª série que estou lecionando.
gostei muito do texto do prof. Ricardo, é a realidade mesmo da sala de aula nas escolas publicas, sem tirar e sem por, parabens, vou ate copiar esse texto para falar no HTPC
abraços a todos, adorei esse blog
Puxa vida!!! E só falta dois mesês para eu me formar em pedagogia….é…
Sem palavras…
Ricardo
Fantastico seu texto sobre a superlotação.
Profe Ricardo
Depois de um dia exausto de trabaho, mesmo sabendo que é a nossa realidade você me fez rir até chorar. Valeu pelos risos.
Reunião de pais.
outro desastre!
Oi! a senhora é a mãe da aluna X.?
Sou eu sim, prazer eu sou o professor de ciências dela
a senhora recebeu meus recados?
eu a chamei na escola desde a primeira semana de aula, pois eu necessito conversar muito com a senhora sobre o comportamento da X. que anda um pouco fora do padrão.
Caros amigos vcs conhecem a X ela é aquela aluna um pouco maior na sala da 6º ano, que tem um vocabulário com palavras tipo: pau, buceta, filho da puta, vai tomar no cu, dei mesdo e dai, não falei com o senhor detalhe vc esta frente a frente com o ser eu nã foi para vc e assim por diante então acho, que vcs conhecem alguem assim.
Bom continuando a uma reunião de 2º bimestre conheço a mãe da aluna X. fico impressionado logo de cara.
_”Nossa ela é a mai veia sabe “Dr” .eu tenho 7 so dois do memo pai, esse que ta nu me colo e esse da barriga. osouto não mi da pobrema mais ela agora ta cresceno ai virou…………um palavrã que me recuso a escrever”
Agora vem a melhor parte imaginem uma mulher com uma criança no colo e gravida de outra de mais ou menos 7 meses usando um micro shortes e um bustie numa noite fria de inverno seria ilário senão fosse uma desgraça.
Entra a X. gritando:
“to nem ai eu num baxo cabeça pra professor memo”
“quando e fo visita meu pai vo conta tudo pra ele”
adivinhem onde o pai estava la mesmo.
A mãe da X. não gostando de saber q a filha visita o pai lá,
“imagiem a mãe não sabe onde a filha vai”
começa no meio da reunião de pais e mestres a bater na criança.
Detalhe com um filho no colo e outra na barriga e dois olhando.
Olha o primeiro tapa a gente até pensa bem feito, mas nessa familia sem estrutura nenhuma, nos somos obrigados a interfirir.
Fala da mãe:
“_Se sabe que o seu pai num gosta que o c vai la”
fala da filha?
“_Aquele fio da puta, meu pai vai mata ele quando sair de la”
Caros colegas, sabe aquele ditado uma laranja pobre estraga a caixa, mas diante de tudo isso, dessa familia toda errada como mandar embora da escola uma garota que acabou que vive um turbilhão na sua vida pessoal, que não aprende por não saber se relacionar e tb nesse momento da vida não esta muito afim de aprender. Podemos nos educadores simplismente fazer como nossos governantes fechar o olho, ou convida-la a se retirar?
Essa garota ja foi tão excluida, se fizermos isso simplismente estaremos masacrado esse tipo de comportamento.
Amigos a propria vida reolveu esse situação la na nossa escola, X. repetente duas vezes, sabia escrever o nome muito mal feito, ficou gravida aos 12 anos de idade.
Abandonou os estudos.
Sabe-se Deus de quem?
Sumiu da escola, claro quem não quer paz, todos queremos mas a que custa.
até quando nos vamos passar por situaçães como essa?
Finalizando:
FAÇAM SEMPRE DESSA FRASE UM LEMA
“ESCOLA RICA PARA POBRE”
ABRAÇOS….
Décio
A realidade apresentada em seu comentário infelizmente é mais comum do que se imagina. A educação é uma coisa complexa, que depende de suporte do Estado, qualificação do professor, respaldo da direção e COMPROMISSO DA FAMÍLIA. Quando falta um desses elementos, dificilmente a coisa funciona.
As pessoas, de qualquer profissão, tende a perde a sua sensibilidade em relação aos problemas que a cercam, ao longo do tempo. Nesse contexto, quando lidamos com indisciplina e violência na escola tendemos naturalmente a culpar o aluno por sua a atitudes, quando se analisássemos sua realidade familiar, entenderíamos que ele até conseguiu se sair melhor, dada sua realidade.
Assim, nesse fundo do poço, o principal argumento que ganha força é o da ESCOLA INTEGRAL, NÃO POR AUMENTAR A CARGA HORÁRIA DE ESTUDOS, MAS POR REDUZIR A CARGA HORÁRIA DE CONVIVÊNCIA COM ÀS FAMÍLIAS.
Ou assumimos uma responsabilidade que não é nossa e passamos a fazer a educação que falta a essas crianças (isso no máximo até 7º série; depois é quase impossível…) Ou torcemos para não encontrar com elas crescidas, numa situação de assalto ou miséria…
Me desculpe meus amigos, posso dizer que sou feliz. Acabo de sair de uma reunião de pais onde todos me respeitam. Isso não quer dizer que sejam familias cultas, bem sucedidas. Escola de periferia, pessoas muito humildes, mas dignas. Escola pequena , bem estruturada, com muitos problemas sim, mas nada comparado aos relatos acima. Sinto muito por vocês, mas ainda acredito que para cada problema desses podemos sim, com amor, fé dedicação e comprrensão ajudar essas crianças. São vítimas de um política extremamente voltada a alguns, “aqueles”. Mas temos que acreditar, que somos capazes de resgatar ,nem que for um dentre tantos desses alunos. Boa sorte a todos.